
O
João Pinto e Castro do
"Sangue, Suor e Ideias" escreveu um interessante post sobre a nova estratégia de marketing/reposicionamento da marca Pingo Doce.
Aparentemente e em consonância com o que foi dito pelos responsáveis desta cadeia de super-mercado ao
Diário Económico, o Pingo Doce pretende
dimuinuir a variedade de referências à venda, reduzir preços e custos e aumentar para 40% o peso das marcas próprias na facturação total. Sendo-lhes perguntado se pretendiam reposicionar-se como uma
loja discount e concorrer directamente com o Lidl e o
Mini-Preço, explicaram que também não é bem isso.
Sobre esta nova aposta, não é nada que eu não tenha vindo a reparar nos últimos dois anos em que me tornei cliente habitué do Pingo Doce do Campo Santana (onde habito actualmente).
A
descontinuidade de certas marcas premium em detrimento por uma
vasta e abrangente linha de produtos de marca branca parece ter vindo para ficar, mesmo!
Se a estratégia é incorrecta, sinceramente tenho opiniões ambíguas. O tipo que compra camisas Labrador ou a senhora que veste na Stivali, volta e meia passam pelos Lidl's da vida para fazerem
compras "cirúrgicas" e selectivas: os lacticínios e as bolachas que lhes recomendaram visto "serem muito bons e até bastante em conta".
Não haja dúvidas, presentemente o
"value for money" é a mais
importante variável de motivação e decisão do
"retail consumer".
O que torna o mesmo cada vez mais
difícil de tipificar e de segmentar, porque nessa procura de
"value for money", ele acaba por
distribuir o seu cabaz de compras pelos Minipreços, Lidl's, Contimentes e Carrefours da vida. A única barreira ou desincentivo em termos das lojas de discount parece ainda ser o
"instore experience" sentido pelo consumidor ao entrar nestes espaços: a típica dessarumação dos produtos e lineares e os espaços serem relativamente mais pequenos (em comparação com as grandes superfícies).
O Pingo Doce, por sua vez parece querer optar por uma "
terceira via" na categoria do retalho. Será bem sucedido? Conseguirá estar «ensanduichado» ali no meio? Só o tempo o dirá. Convém é não esquecer da velha máxima de que o marketing mais do que uma batalha de produtos, é uma batalha de percepções. E actualmente os clientes do Pingo Doce (onde me incluo) começam a ver o mesmo como
uma extensão de uma loja de discount, só que
"mais arejada" e arrumadinha e com uma (ainda)
maior variedade e oferta de marcas.