September 27, 2005

Marcas = Envolvência?

Quando oiço as agências e os marketers falarem da palavra "envolvência" fico com a pulsação aceleradíssima.

Principalmente quando olho para o estado actual da comunicação/meios utilzados para falarmos e "envolvermo-nos" com o consumidor.

Como é que uma marca consegue envolver-se com o consumidor? Apenas com spots de 30" que metem o pessoal a falar nas ruas a imitar os slogans, verbetins e piadinhas? Apenas com os mupis e outdoors que nos distraem no pára-arranca diário a caminho do trabalho? Apenas com o folheto informativo que nos atulha a caixa do correiro com as melhores ofertas que alguma vez teremos?

Quem tiver a ler esta linhas deve ter já antecipado o tema da conversa: "ele vai-nos falar de comunicação integrada". Não! Queria apenas constatar o óbvio com este post: Hoje o principal problema da publicidade e marketing é um problema de ligação ("connection") e não de conteúdo ("content")!

Envolvência requer uma comunicação "two-way", partilhada e participativa entre as marcas e os consumidores. E não apenas as marcas a berrarem USP's ("unique selling propositions") recheadas de benefícios e promessas, ou a projectarem imagens aspiracionais (que ainda continuam a ter efeito, mas limitado e efémero). Chama-se a isso uma "conversa autista", onde apenas temos um emissor: as marcas que dizem o que lhes interessa, na esperança de que o consumidor lá em casa ou nas ruas, compreenda que o que lhes estão a dizer é bom ... bom para ele, que vai ao encontro das suas necessidades.

Pois bem, para quem ainda não reparou (ou não quis aceitar), o consumidor de hoje não mudou muito em termos de hábitos de consumo (como decide a compra), mas mudou na maneira como filtra e escolhe as mensagens que quer ouvir. O consumidor de hoje não só está bem-informado (quando quer), como também quer aprender, ter uma voz activa, participar e que o envolvam no universo das marcas que entram no seu dia-a-dia. Há hoje um crescente número de marcas que apreenderam e que compreendem isso. A lealdade dos consumidores às mesmas é vísivel (até para que não quer ver).

Em vez de "falar para" as pessoas, que tal "falar com" as pessoas?

5 comments:

Ricardo said...

Marketing experiencial?

Leitor said...

A Frize é 1 marca que sabe envolver o seu target. A sua ideia de meter a malta a fazer slogans e jingles é um exemplo eficaz.

RadaR said...

Penso que o caso da Frize e o contrario! O publico/consumidores e que criam o slogan e o jingle! Ai e o proprio publico/consumidor a dizer como e que quer ser "atingido"!

Sérgio said...

A Frize é inteligente não só conseguiu envolver a malta na sua campanha, como ainda os meteu a trabalhar para a marca. Isso sim, é envolvência. Querem uma ideia à borlix Frize e Mccann (depois dão-me 1 iPod)? Criem um blog com posts sobre o dia-a-dia do CEO GT Pedro Tochas. Terão uma avalanche de curiosos a ler diariamente as peripécias do Presidente Tochas.

S. said...

Estavas a gostar de te ler. Podias ter continuado. :)

Aquele livrinho ali aolado é muito interessante.Tenho 2.(ofereceram-mos!)